Eh pah, até ontem não sentia aquele euforismo todo pelo Europeu e claro pela Selecção, muito por força do exagero que as cadeias de televisão empregaram nas transmissões e ainda por cima, na minha opinião, cedo de mais...
Mas ontem, quando ouvi o Hino, senti que estava de novo em 2004! E pronto, Portugal ganhou, a festa foi muita la na suíça e voltei a sentir o ano de 2004 muito presente! O que me leva a pensar que se for desta que conquistamos o Europeu a festa lá vai ser tao grande como a que todos os portugueses pensavam em fazer naquele ano...
E hoje a minha amigona Maria passou-me o vídeo de encerramento do Euro 2004 e foi chocante a forma como fiquei arrepiada! Parecia um ouriço... =')
Vai, muito provavelmente, parecer muito estranho para muita gente aquilo que estou prestes a escrever. Mas nao podia evitar faze-lo, tinha que partilhar com alguem o que hoje de manha senti. Foi estranho, levantei-me e fui tomar o pequeno almoço à cozinha acompanhada da TV. Até aqui tudo bem. No entanto, quando terminei, levantei-me pra arrumar as coisas e pra vir pró quarto, quando olhei pra TV e de repente ao ver o que estava a dar senti saudades de ser pequenina, de me levantar cedo só pra ver desenhos animados! E depois, ao passar à sala essa nostalgia ainda foi maior... estava escura como sempre aquelas horas da manha...e eu levantava-me sempre cedo (antes mesmo dos meus pais), acendia a luz, ligava a TV e sentava-me no sofá a ver "Arrepios", ou Mask, ou Homem Aranha, ou até os míticos Power Rangers!
Ai ai... bons tempos os da inocência... bons tempos os da infância... bons tempos esses em que a nossa maior preocupação era...sei lá... não tínhamos grandes preocupações!
Ficam aqui uns vídeos de alguns dos desenhos animados que via!
Sem querer menosprezar todas as maravilhosas musicas que deliciam os meu ouvidos e preenchem a minha alma, na verdade se um dia viessem ter comigo e me dissessem:
- "Ana, durante toda a tua vida registamos em video todos os bons momentos que passaste, todas as alegrias, todas as tristezas, todos os momentos de parvoice extrema. E agora qual a banda sonora queres para o filme unico que é a tua vida?
Eu sem hesitar respondia:
-"3 Doors Down!"
Porquê? Porque foi a banda que mesmo eu não tendo cd's deles me acompanhou sempre...Lembro-me de não ter net, nem dinheiro pra comprar os cd's e ter k ir a correr gravar a musica pra uma cassete quando dava na radio.
Lembro-me de ter chorado, de ter sorrido, de ter rido ás gargalhadas, de ter amado, de ter odiado, tudo ao som desta banda... Os passeios da escola não eram os mesmos sem partilhar o walkman com a Joana pra ouvirmos as cassetes que ambas gravávamos exactamente da mesma forma: "Maratona para o radio."
Lembro-me que a primeira coisa que o Fábio me deu pra me tentar conquistar foi um cd deles. E ainda hoje recordo como tudo aconteceu. ^^)
E mesmo as memorias mais recentes, que não foram vividas ao som d 3DD, vêm a tona quando os escuto...
E hoje, decorridos tantos anos, quando ouço essas musicas sinto aquele apertinho no peito que me diz tanta coisa sem precisar expressar uma palavra.
Devíamos ter uma câmara oculta nas nossas vidas. Mas como nao temos, vamos criando o filme das nossas vidas assim...Com a única coisa que morre connosco, as nossas memorias. Sempre acompanhadas com aquelas musicas!
Um dia que para muitos serve para mandar sms's a felicitar as mulheres amigas, receber presentes, flores, dedicatórias do companheiro a elogiar a maravilhosa mulher que tem, sem esquecer que entre grupos de mulheres se realizam as festinhas só pra mulheres com tudo aquilo que imaginamos. E isto tudo porque simplesmente nascemos mulheres! Mulheres, este dia não foi feito para isto. Pelo menos só para isto... A origem deste dia, para quem não sabe remonta a 1857 e passo a citar:
"Neste dia, do ano de 1857, as operárias têxteis de uma fábrica de Nova Iorque entraram em greve, ocupando a fábrica, para reivindicarem a redução de um horário de mais de 16 horas por dia para 10 horas. Estas operárias que, nas suas 16 horas, recebiam menos de um terço do salário dos homens, foram fechadas na fábrica onde, entretanto, se declarara um incêndio, e cerca de 130 mulheres morreram queimadas. Em 1910, numa conferência internacional de mulheres realizada na Dinamarca, foi decidido, em homenagem àquelas mulheres, comemorar o 8 de Março como "Dia Internacional da Mulher". De então para cá o movimento a favor da emancipação da mulher tem tomado forma, tanto em Portugal como no resto do mundo."
Estaremos, portanto, a fazer uma homenagem a estas mulheres que deram a vida por uma causa? Algumas de nos sim...Outras não!
Nao se fiquem pelas "Women's Night"... Vamos ser mulheres lutadoras, visionárias, cheias de esperança e amor próprio... e claro cheias de alegria!
Há quanto tempo não venho aqui deixar a minha marquinha... Muito né?!
Ai "Tempo tempo tempo tempo..."
Pois é, uma descoberta minha de à pouco tempo reflecte o valor do Tempo, chama-se Oração ao Tempo e é da autoria de Caetano Veloso... Lindo o ritmo da musica. Calmo...Singelo...Embalador...
Gosto particularmente desta parte:
(...)
Compositor de destinos Tambor de todos os rítmos Tempo tempo tempo tempo Entro num acordo contigo Tempo tempo tempo tempo...
Por seres tão inventivo E pareceres contínuo Tempo tempo tempo tempo És um dos deuses mais lindos Tempo tempo tempo tempo... (...)
Mas o meu tempo tem-me destinado não ter nada pra vos dizer. Por essa razão não tenho tido tempo, nem inspiração para rabiscar este meu bloco de notas...
Peço desculpa não ter tempo nem disposição para visitar os vossos blogues. Não acho justo visitar-vos e deixar nos comentários frases feitas só para dizer que vos visitei e disse umas coisinhas simpáticas.
Quando puder eu volto!
Mas enquanto não puder, não se esqueçam...
Carpe diem ...
"Odes" (I, 11.8) do poeta romano Horácio (65 - 8 AC):
"Carpe diem quam minimum credula postero"
Ou...
"Carpe, carpe diem, colham o dia garotos, tornem extraordinárias as suas vidas." - - Excerto da fala do professor, personagem de Robin Williams no filme "A Sociedade dos Poetas Mortos".
Em primeiro lugar queria pedir desculpa aos poucos (mas bons) leitores que aqui passam (ou passavam) porque de repente deixei de actualizar este meu cantinho. Mas é que isto de andar na Universidade ocupa tempo de mais , pior, deixa-nos sem espaço na cabecita para pensarmos nestas pequenas coisas que criamos no passado.
Deixando agora as desculpas, o meu post tem como assunto principal os Ciumes! É verdade, como nunca tinha deixado aqui este assunto no ar, e como vi num site brasileiro um teste de "grau" de ciumes resolvi fazê-lo e revelar-vos o resultado.
Bem, antes de ver o resultado eu já o sabia... Porque sempre fui muito ciumenta. Daquelas que chega a ultrapassar o limite do racional...
E então o meu resultado foi:
"Pontuação instantânea:17"
"15 a 24pontos - Ciumenta mesma, e daí?
Não é de esconder muito os sentimentos: o que é seu é seu, e não abre mão por nada. Brigas por causa de ciúmes? Tem sim e não se envergonha disso. Acredita que tudo vale a pena em nome do amor. Só tome cuidado para não deixar seu ciúmes virar um sentimento doentio e você acabar sufocando seu amor."
Na verdade, não temos que ter vergonha de dizer que temos ciumes, porque tal como os autores deste teste referem na sua tese, ter ciumes é um sentimento natural e característico do ser humano, pois é reflexo de um outro sentimento: Gostar de alguém, quer seja amor, carinho, amizade, etc.
O mais importante é saber controlar o nosso ciúme.
Sentada na minha cama, são 10h28 e como luz tenho apenas a persiana corrida com pequenas frinchas. Tenho o portátil nas pernas e leio uma entrevista na revista Visão On-line. António Lobo Antunes fala do seu novo livro O Meu Nome É Legião, que "decorre num bairro periférico de Lisboa e tem como protagonistas um grupo de miúdos, descendentes de africanos".
E numa parte ainda inicial da entrevista, deparo-me com palavras do autor que me tocam de uma forma especial:"O livro refere-se a um bairro em concreto, embora eu nunca lá tenha estado. Sempre me impressionou o facto de aqueles miúdos não terem raízes de espécie alguma. Não são portugueses, não são africanos, não são nada. Brincam com balas em vez de brincarem com bolas. E no entanto há neles uma sede de ternura, um desejo de amor absolutamente inextinguível. A morte e a vida não têm, para eles, qualquer significado ou, pelo menos, têm um significado muito diferente do que para nós. Na minha ideia, O Meu Nome É Legião era por isso um livro de amor. De amor por uma geração, por uma classe social sozinha e abandonada, por um grupo de pessoas desesperadamente à procura de uma razão de existir."
E tocaram-me porquê? Porque finalmente há alguém que consegue transpor para palavras aquilo que eu sempre senti em relação aos miúdos de bairros. A hipocrisia das pessoas que se dizem correctas ao afirmarem que o "País está mal de criminalidade por culpa desses pretos", é Tao nojenta, tão ... nem consigo classificar. Nunca pararam para pensar que não deve haver nada pior do que viver sem se saber o que se é!? Nunca morderam a língua e tentaram imaginar o que será conviver com pessoas que têm escrito no rosto "Desconfiança, Medo, Racismo..."!?
António Lobo Antunes ainda diz mais... "Estão de tal maneira abandonados que matar pessoas é a única maneira que têm de pedir colo. Não sei, porém, o que se passa na realidade, uma palavra idiota porque a realidade é uma coisa que não existe. Todas aquelas pessoas têm, para mim, uma densidade muito profunda."
E Continua..."Aquilo não é sequer um subúrbio. Para mim, o subúrbio é Benfica ou o Cacém. Aquilo é muito pior do que isso. Aquilo é o inferno. Aquelas pessoas vivem num inferno onde eu nunca entrei."
E é a mais pura verdade. Quem somos nós, gente de bem, com um tecto não rotulado de Bairro Social, com um emprego fixo, com uma nacionalidade assente, com uma vida dentro das ditas normasda sociedade, respeitosos da moral e dos bons costumes, para falar dessas pessoas no tom com que falamos? Ninguém!
Experimentem viver como eles vivem, para depois sofrer o que eles sofrem, ver o que eles vêem, ouvir o que eles ouvem, sentir o que sentem.
Não sei se fui clara, não sei se me compreendem... Só não quero que pensem que tenho pena desses miúdos. Porque não tenho pena, sinto admiração porque lutam da maneira que podem por uma vida melhor. Pena tenho dos que têm tudo para acabar com esta forma de vida miserável e desumana, mas não têm horizontes capazes de o fazer. O comodismo é bastante mais simpático, e os bairros sociais são mais fáceis de construir do que construir uma sociedade do século XXI, ou seja, uma sociedade humana.
São 11h10, a minha mãe já me subiu mais a persiana enquanto escrevia este texto.